Capítulo 1
Atena estava sozinha pensando em qual povo
passar um pouco de sua sabedoria e então escolheu o Brasil, um país rico e
cheio de diferenças culturais. Discutiu com os outros deuses a melhor forma de
se fazer isso, imaginou-se colocando um de seus filhos dotados de tanta
Inteligência dentre todos os meros mortais e pensou que não seria tão bom,
então resolveu buscar alguém que se adequasse e pudesse inovar em seu trabalho,
escolheu uma professora.
Essa pessoa era Pandora, vista por seus alunos
e colegas de trabalho por sua dedicação e amor ao ensino, sua capacidade de
inovação e seu gosto peculiar por desafios. Atena então a destacou de todos os
outros e a fez uma proposta: conhecer as tendências pedagógicas trabalhadas em
quatro diferentes escolas de regiões diversas do seu país.
-Mas como vou deixar os meus alunos? –
perguntou Pandora
-Ora, o meu poder te trará de volta antes que
percebas, só tenho uma condição: que você siga a individualidade de cada tendência
que encontrarás em cada região mesmo que não esteja acostumada e seja fora de
seus princípios. Isso te levará a uma inesquecível experiência de conhecimento
e os beneficiados serão seus alunos. – respondeu a deusa do Conhecimento.
Capítulo
2
Seguiram então para o Amazonas, numa tribo
Tupi, com a tendência pedagógica progressista, onde o aluno traz flores e
frutos para discussões acerca desse tema em sala de aula. Lá, Pandora conhece
Sérgio, um professor gentil que tenta fazer que os alunos de sua tribo sejam
mais ligados aos seus costumes mais indígenas que trazidos pelos brancos, como
ele próprio diz.
-Eu tento fazer isso de forma de que os alunos
tenham respeito e interesse pela cultura indígena e para isso, no ensino de
biologia, sempre peço que tragam coisas cotidianas que encontram em suas
andanças pelas matas e riachos do espaço da tribo. Conheço muito bem a
vegetação local e consigo discutir sobre as condições climáticas e nutricionais
para que a planta se desenvolva, além da parte da bioquímica das plantas, sobre
as substâncias que dão odor ou sabor a determinadas folhas ou o veneno
produzido por outras. – explicou Sérgio
-Isso é demais! Você utiliza da tendência
pedagógica progressista pra fazer com que os alunos se interessem mais pela sua
aula.
-Tendência o que?
- Tendência Pedagógica Progressista. Ela é caracterizada por uma
postura anti autoritária do professor em sala de aula, sem a necessidade de
avaliação por meio de notas e com metodologia flexível ao conteúdo. O professor
costuma propor discussões acerca de temas trazidos pelos alunos, os quais
participam de forma integral no processo de construção de seus conhecimentos.
Eu acho que deve ser interessante e eu possa mostrar um pouco da tecnologia
para extração de alguns óleos vegetais através de aparelhos sofisticados.
Sérgio se enfurece por ser algo trazido pelo
“universo branco” e não a concede as aulas que ela pede.
-Pandora, não o responda a altura. Eu a escolhi
por ser capacitada para tanto e esta é sua primeira batalha, passar esse
conteúdo para os alunos, pois alguns alunos ali se interessam demais pela
obtenção de óleos vegetais.
Então após duas semanas conversando sobre o
assunto com o professor e mostrando que uma das formas de obtenção de óleos
vegetais é o preparo do chá a partir das raízes da jurema, ela consegue duas
horas com os alunos podendo discutir com eles como é feito o “vinho de jurema”
e como isso se aplicaria a outras raízes e plantas.
-Você cumpriu sua missão aqui, Pandora.
Conhecerá agora uma realidade um pouco mais dura.
Capítulo
3
Pessoas vestidas
tão coloridamente percorriam os corredores da escola em que Pandora se deparou.
Logo notou pela forma tão bonita daquele povo falar que estava na Bahia,
considerado um dos estados mais ricos em cultura do Brasil. Após Atena, em sua
personificação humana, a apresentar ao diretor da escola, Pandora já foi
seguindo para a sala de aula de Seu Simão, onde não se surpreendeu nada com a
cena vista ali. Estava no local mais comum de todas as escolas, alunos
enfileirados, sentando um atrás do outro e naquele momento, todos de cabeça
baixa, olhando apenas para sua avaliação escrita, enquanto Seu Simão lia um
livro de receitas tradicionais.
-
Atena, por que me trouxe aqui? Conheço bem esse tipo de realidade, é o que vejo
em boa parte da escola diariamente.
- Ora mortal, esse
tipo de avaliação e de aprendizagem são os mais comuns por fazerem parte da
tendência pedagógica tradicional, onde o professor é detentor do conhecimento e
os passa aos alunos de forma linear e quadrada. Seu Simão, além de tudo, não
aceita que uma mulher possa dar aula, quem dirá melhor que ele, e seu desafio é
seguir essa tendência para mostrar aos seus alunos a tabuada.
Ao voltar para
sala, Pandora chegou determinada a tomar os alunos para si, porém a forma
preconceituosa com que foi tratada não deve ser mencionada. Através de uma
charada matemática conseguiu o direito de ir à frente e passou, pelo método da
memorização e repetição, a tabuada dos algarismos 6,7 e 8. Testou os alunos
oralmente e passou uma atividade avaliativa relacionando os conteúdos de
multiplicação com coisas dos cotidianos dos alunos como “A quantidade de
acarajé necessária para alimentar 6 baianos, se cada baiano come em média 3
acarajés”. Isso divertiu os alunos, pois e até a preferirem que o Seu Simão,
tudo isso num período de tempo de 6 aulas.
-É garota, até que
você é criativa, ainda que não devesse estar lecionando e sim em algum emprego
para gente como você.
Pandora o ignorou,
encontrou-se com a deusa e partiu.
Capítulo
4
Pandora então se
viu no meio de uma correria sem tamanho, aonde todos iam de lá para cá e daqui
para lá o mais rápido que conseguiam; Atena a guiou por alguns quarteirões a uma
escola extremamente diferente de toda arquitetura que a professora já tinha
visto. Ao entrar se descobriu em uma escola preparatória para engenharia, dando
noções de como seria o trabalho desse tipo de profissional no dia-a-dia.
Logo percebeu que
as aulas de física ali seria aplicada a casos específicos enquanto Atena dava a
ela seu desafio da vez: construir uma ponte de macarrão com alguns alunos da
professora Marília.
- Aqui mostramos
para os alunos como eles irão trabalhar, por isso, os pais escolhem nosso
colégio para educar seus filhos.
- Você não acha que
estão especificando demais e se limitando a quantidade de alunos?
- Claro que não,
somos interpessoais com nossos alunos e tratamos a organização da instituição
como uma empresa, com características profissionais, isso caracteriza nossa
tendência pedagógica, a tecnicista.
Durante uma feira
de profissões no colégio algumas semanas depois, Pandora cumpriu seu objetivo
da ponte de macarrão com alunos que trabalhavam como operários e estava pronta
para seu último desafio e já conhecia a tendência pedagógica que viria a
seguir.
Capítulo
5
Num
piscar de olhos, Pandora se encontrou em Florianópolis, uma grande cidade no
sul do Brasil, onde conheceu a diretora Eduarda que explicou como ela aplicava suas
aulas de química.
-
Eu prefiro que os alunos conheçam e correlacionem os assuntos através de
práticas laboratoriais onde eles mesmos possam pesquisar e formar suas
hipóteses e testá-las com segurança e cautela, que são passados a eles desde o
início dos estudos de química. – disse Eduarda
-Nossa,
se parece muito com a tendência pedagógica da nova escola só que com menos foco
no social, a intenção de formar cidadãos críticos e preparados para fora da
escola. – comentou Pandora
-
Mas trabalhamos isso aqui na escola também, e essa tendência pedagógica é a que
utilizamos pra basear nossos planos de aula.
Pandora
se encantou com a beleza dessa tendência pedagógica e ficou pensando qual seria
seu desafio ali.
-Voltar
– disse a deusa.
-Voltar?
– assustou-se Pandora, estava muito longe da cidade de Itajubá em que
trabalhava.
-Agora
lhe deixarei novamente na escola em que passa todas suas manhãs e poderá
colocar em prática essa tendência tão legal, assim como as outras, pois agora
percebeu que cada aluno aprende de forma diferenciada e pode utilizar isso no
seu trabalho.
A
deusa então se despediu e a deixou em uma das suas salas de aula. Alguns meses
depois, Pandora foi reconhecida por seu trabalho social e educacional em que
empregava diferenciadas formas de ensino, fazendo com que seus alunos se
interessassem cada vez mais pelas escolas e trouxessem mais amigos para estudar
ali, e esse era o foco do seu trabalho social, a retirada de jovens e
adolescentes das ruas através do interesse educacional.
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